COLUNA DA NATÁLIA

A NYC DOS ANOS 1970 É DELAS! #CINEMA13/08/19

''Rainhas do Crime'' é um violento grito de liberdade feminina

Um filme que tem crime no título raramente seria escolhido por mim pra virar resenha, mas nada como abrir exceções, certo?

"Rainhas do Crime", cuja pré-estreia assinei, na última semana, ao lado da Warner Bros, tem bastante tiro e muito sangue, mas resgata algo de revanche que existe na gente, principalmente se a plateia é feminina e está cansada de levar desaforos pra casa.

Baseado numa história em quadrinhos da Vertigo, selo adulto da DC Comics, o filme tem um tripé importante de protagonistas e um cenário empolgante, a Nova York da década de 1970.

A história é mais ou menos assim: Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) são casadas com mafiosos irlandeses, que comandam os negócios no bairro de Hell's Kitchen. Quando eles são presos, o trio fica nas mãos de Little Jackie (Myk Watford), o novo chefão local, que se recusa a lhes dar o dinheiro suficiente para seu sustento. Com isso, Kathy, Ruby e Claire decidem unir forças para criar sua própria "família", oferecendo apoio e proteção a pequenos comerciantes locais.

Com o tempo, o poder do trio aumenta e começa a incomodar Little Jackie e chamar a atenção da máfia italiana, do Bronx.

Tudo isso embalado por uma trilha sonora que merece ser baixada já no Spotify. A canção de abertura não poderia ser mais apropriada: "It's a man's man's man's world", clássico de James Brown na voz de Etta James. Estão lá também “Paint it, black”, dos Stones, assim como “The Chaind”, cantada pelo The Highwomen, e por aí vai. 

Destaque para a atuação de Elisabeth Moss, a sofrida Claire

E já que vivemos em tempos de poderio feminino, vale lembrar que na direção do filme está Andrea Berloff, que também assina o roteiro, e espertamente vai bem além da graphic novel "The Kitchen” para fazer essa produção com pinta de sucesso.

Se nos quadrinhos o trio formado por Kathy, Ruby e Claire (especialmente esta última, que se revela bastante violenta em face a um passado difícil) é, digamos assim, shallow e mal aproveitado, aqui a coisa é bem outra. Com tintas de Tarantino e Scorsese, elas deixam claro que não concordam com a máxima dita no filme de que "mulher serve apenas para fazer bebês".

 

NATALIA DORNELLAS

FOTOS: WARNER BROS/REPRODUÇÃO

 

 



COMPARTILHE A MATÉRIA


COMENTÁRIOS




MENSAGEM




FACEBOOK