OLHO NA CIDADE

NO CENTRO DE BH: LONGA VIDA AO MALETTA!15/06/18

ICÔNICO, EDIFÍCIO DO CENTRO DE BH É UM MIX DE COISAS QUE A GNT AMA

Se tivesse que escolher um prédio que simbolizasse a vida noturna de BH, o Edifício Maletta, na esquina de avenida Augusto de Lima com rua da Bahia, seria a minha indicação. Boemia, arte, cultura, resistência à ditadura, tudo isso faz parte da história do local onde gosto muito de ir.

Moro a dois quarteirões do prédio, na Rua Tupis. Desde a época da faculdade vou ao local. Quando estudante, a Cantina do Lucas era o caminho natural depois das aulas de Direito Constitucional, Teoria Geral do Estado e outras disciplinas da Milton Campos. Pratos tradicionais, cerveja gelada e conversas que se estendiam até o restaurante fechar. O lugar me atraia, também, pelas muitas histórias ali ocorridas nas décadas de 1960 e 1970, durante a ditadura militar.

Dê uma passadinha no Maletta!

A mais famosa, como muita gente deve saber, é a do agente do FBI Dan Mitrione, que veio para o Brasil ensinar métodos de interrogatório às forças de segurança.  Passando-se por um homem comum, Mitrione frequentava o Lucas e convivia com estudantes e outros líderes de esquerda, sem que ninguém desconfiasse. Depois do Brasil,  ele foi atuar no Uruguai. Em 1970, foi executado por guerrilheiros do grupo Tupamaros. 

Hoje, o Maletta atrai pela variedade de opções que oferece a seus frequentadores e pela diversidade do espaço, um dos mais democráticos da cidade. O resultado não poderia ser melhor: mesmo com a degradação do hipercentro, o Maletta é um lugar de alegria noturna, algo hoje raro na capital. Por isso, tanta gente escolhe o velho edifício para encontrar amigos ou amores, tomar uma bebida, comer a comida boa e farta do Lucas ou de outros restaurantes.

Pena que não haja mais espaços no hipercentro que combinem de forma tão certeira tradições, alegria, cultura e diversidade. Ao longo dos anos, os locais que tinham essa característica foram cerrando as portas ou passando a funcionar apenas durante o dia. Sei bem que o momento é de dificuldades para empreendedores e consumidores, mas a noite de BH precisa de outros lugares assim, nossa cidade carece de mais vida, de mais gente nas ruas, festejando, interagindo. Longa vida ao Maletta.

 

#histórico

 

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

FOTOS AMIRA HISSA




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