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PAMPULHA PODE PERDER TÍTULO DA UNESCO22/05/18

GABRIEL AZEVEDO FALA DO ABANDONO DA REGIÃO

Postei nas mídias sociais na quarta-feira uma homenagem aos 75 anos de inauguração do complexo arquitetônico da Pampulha, em 1943. A data, infelizmente, passou totalmente em branco, sem o devido destaque que a obra de JK, Niemeyer, Burle Marx e Portinari merece. Sem menções da administração municipal, sem qualquer notícia boa quanto ao futuro da Pampulha.

Quando me refiro à região, há dois fatos que chamam a minha atenção: o primeiro, por óbvio, é a visão de futuro de Juscelino, que reuniu em torno de sua utopia arquitetos, urbanistas e artistas plásticos capazes de transformar este sonho em realidade. O segundo, para minha tristeza, são as décadas de abandono que a Pampulha enfrentou e continua enfrentando.

Entra prefeito, sai prefeito, com secretário de cultura, sem secretário de cultura, o principal atrativo turístico da capital, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, permanece quase invisível para os governantes municipais. Em vez de entender a dimensão arquitetônica, turística e ambiental da Pampulha, os administradores de BH, gestão após gestão, se destacam pelo descaso com que tratam o complexo.

A exceção nesta triste cadeia de desinteresse e falta de visão é o arquiteto e historiador Leônidas Oliveira, grande responsável pelo reconhecimento do Conjunto Arquitetônico da Pampulha como patrimônio da humanidade. A ação da Unesco, em 2016, foi fruto tão somente dos esforços de Leônidas, que se dedicou inteiramente a esta luta.

E agora, menos de dois anos após toda essa movimentação dele e da equipe que o acompanhava na Fundação Municipal de Cultura, a Pampulha vive mais um ciclo de abandono, com problemas de toda ordem e que, o mais grave, põem e risco o título de patrimônio da humanidade. Se a requalificação da orla não for feita no devido tempo e se as recomendações da Unesco não forem seguidas, o reconhecimento poderá ser revisto.

Em julho de 2016, ao incluir a criação de Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer no rol de bens culturais da humanidade, a Unesco apresentou várias exigências e divulgou que em julho de 2019 será feita uma nova inspeção para verificar se o título será mantido. A principal preocupação do órgão das Nações Unidas é a demolição do anexo do Iate Tênis Clube, que não integra o complexo projetado por Niemeyer.

Hora de se preocupar com a Pampulha!

Até este momento, entretanto, por causa da falta de entendimento entre a PBH e a direção do clube, nada foi feito para a demolição do anexo. A última notícia neste sentido, divulgada pela prefeitura em dezembro do ano passado, anunciava a demolição de uma guarita em frente à Casa do Baile. Depois, nada foi feito ou devidamente informado. É uma situação preocupante.

Preocupa principalmente em razão do pouco tempo que resta para a execução de obras estruturais, de alto custo, num período em que recursos públicos estão escassos. De acordo com informações da PBH, além da demolição do anexo, o município deverá restaurar o Museu de Arte da Pampulha, iniciativa que ainda caminha a passos lentos, apesar de a Prefeitura informar que há recursos do BNDES para a requalificação. A Igrejinha de São Francisco também terá que ser restaurada, com dinheiro da União.

Casa do Baile

Por fim, a Praça Dino Barbieri deverá ter os jardins projetados pelo paisagista Burle Marx totalmente refeitos. Cumpridas essas exigências, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade deverá ser mantido. Caso contrário, o risco da Pampulha, mais uma vez, ser relegada ao abandono, vai aumentar à medida que o tempo passa. E caso isso ocorra, será um desastre para o projeto de termos uma cidade moderna, sustentável e capaz de despertar o interesse de turistas internacionais.

#ficadica

GABRIEL AZEVEDO (COLAB ESPECIAL)

FOTOS REPRODUÇÃO 




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