MINAS TREND

CRIS SALOMÃO E AS NOVIDADES DA REGINA07/04/17

Conversamos com a diretora criativa da marca e com a CEO do F.Hits

Em meio a uma semana extremamente agitada - afinal, o batidão do fashion week é intenso! -, a diretora criativa da Regina Salomão, Cris Salomão, bateu um papo com a nossa equipe, contando os novos rumos da empresa, que leva o nome da mãe, mostrando uma visão muito empreendedora! Na mesma ocasião, aproveitamos para conversar com a CEO do F*Hits Alice Ferraz, que veio a BH a convite da grife para lançar seu livro “Moda à Brasileira” e foi recebida por Cris e Regina para um jantar – que teve a lista assinada pela nossa diretora, Natália d’Ornellas. Curioso?

SiteND: Como a moda começou na sua vida?

Cris Salomão: Foi por um mero acaso! Eu tinha 18 anos, trabalhava num banco, fazia faculdade e um colega de banco me sugeriu fazer camisas pra vender pros colegas de trabalho. Eu resolvi fazer, só que comprei os tecidos muito nova e sem experiência, mandei pra uma costureira e deu tudo errado! A minha mãe não tinha tempo pra nada nessa época, mas, quando eu busquei as camisas na costureira, eu quase morri de chorar e ela disse que ia me ajudar. Nunca na vida eu pensei em ter uma confecção, e a história da Regina Salomão começou com 18 camisas dessa forma.

SiteND: Agora você tá assumindo o lugar da sua mãe...

Cris: Desde sempre nós somos sócias. Nossa relação é muito bacana, muito íntima e, até como uma forma de prestar uma homenagem a ela, demos o nome dela pra marca, mas eu sempre fui o estilo da Regina. Só que agora eu estou com o desejo de ter uma marca mais jovem, que tenha mais a minha cara, então resolvi dar essa repaginada... Nós começamos há um ano e meio, gradativamente, para nosso cliente não se assustar com a coleção, mas estamos colocando uma roupa mais contemporânea, mais moderna, de uma mulher mais jovem... Rejuvenescendo mesmo. A Regina vai continuar como sempre, mas está nascendo essa outra marca que atende um público diferente, vai ter outro nome, mas ainda é um embriãozinho... A gente tá estreando no Minas Trend, depois de sete anos e somos uma marca essencialmente de pronta-entrega. 

SiteND: A Regina Salomão ficou um tempo sem participar do MW. Como foi a volta e por que decidiram voltar agora?

Cris: Na verdade a gente percebe hoje a importância da visibilidade. A marca já tem uma clientela muito sólida, que já está conosco, é parceira, mas queremos buscar outros mercados. Na verdade queremos ver e ser vistos, então nada melhor que o Minas Trend, que é a feira de moda de mais respeitabilidade do país, pra fazer esse début da marca novamente.

SiteND: Como você vê o mercado da moda no país atualmente?

Cris: Como todos os setores, a moda também foi atingida pela crise. Mas acho que a crise sempre é muito boa. É sofrida, mas maravilhosa, porque ela te impulsiona a fazer as coisas de forma diferente, a buscar o novo, a buscar alternativas, a pensar fora da caixa. Então você vai se fortalecendo com a crise. Agora o mercado tá começando a aquecer. A mudança de governo foi boa, a confiança tá sendo restabelecida, então a gente tá numa fase nova, de muitas mudanças, então, quando o mercado estiver quente, a gente tá pronta! Eu acho que é um período rico pra moda, um período de movimentos!

SiteND: Como você definiria a mulher Regina?

Cris: A mulher Regina Salomão é segura, dona de si, sabe o que quer, tem foco, é forte, sabe o que representa no meio que ela vive, não tem medo de se expor nem de mostrar a cara, essencialmente ela é bonita, gosta de estar bonita... Independe de tipo, corpo, cor... ela se curte, se cuida. o nome da minha coleção de verão é Be You Tiful, não beautiful, Be You Tiful mesmo! Seja você bonita. Porque a gente acredita que cada um tem uma beleza única, então a gente só faz ajudar a florescer o que cada uma já tem. Isso é a função da Regina: desabrochar uma mulher que já é bela, que já tem suas peculiaridades...

SiteND: Além da nova marca, tem alguma novidade por aí?

Cris: Menina, a gente tá a mil por hora! Cheio de novidade! A empresa está mudando, a gente tá rejuvenescendo, eu mudei minha gestão comercial toda... A gente tá trazendo pessoas mais engajadas, modernas, abertas, visionárias... Estamos investindo muito em marketing! A própria parceria com o F*Hits deu uma sacudida da marca no mercado, e a gente tá só começando! Então aguarde que muito barulho vai ser feito! O empresário mineiro, a moda mineira tem muita qualidade... Mas a gente tem um defeito muito grave: a gente é muito bom no que faz, mas muito ruim na comunicação! A gente não consegue colocar pra fora o potencial que a gente tem, o tanto que a gente é bom, competente...  Hoje, com essa exposição que a gente tá tendo na mídia, quem manda é a rede social! Infelizmente o impresso foi deixado em segundo plano e as coisas acontecem em um segundo! Em um simples clique você sabe o que tá acontecendo em Ttóquio! Então não adianta ser mineiro... Esse jeito mineiro de ser precisa desaparecer, na verdade! Hoje a gente precisa mostrar a cara, sair dos bastidores e mostrar o tanto de potencial que a moda tem, mostrar pro país e pro mundo o tanto que a gente é bom! . Hoje mesmo eu falei com a Alice (Ferraz), depois de dar uma volta pelo Salão de Negócios, que aqui é bom, tem mercado, muita gente boa... A gente só precisa se expor! E é isso que a Regina Salomão quer fazer. Eu não quero ser uma marca mineira: quero ser uma marca nacional nascida em Minas, com muito orgulho de Minas, mas sem comer pelos cantinhos! Olha o sucesso que foi o lançamento: 11 da manhã, que é um horário ingrato, do segundo dia de Minas Trend... Tivemos 3h30 de fila! Isso mostra que as pessoas estão ávidas, elas querem novidade, querem conhecimento... Muitas vezes não é fácil fazer as escolhas certas, saber se tá na hora, mas é errando e levantando que a gente aprende! Essa semana foi muito importante pra gente, de muita gratidão. O que a gente colheu com esses eventos foi muito bacana. As parcerias, a visibilidade da marca, as blogueiras, as meninas todas apoiando... 

SiteND: Alice, conta pra gente um pouco sobre o livro...

Alice: Faz dois anos eu fui convidada pra escrever esse livro e contar um pouco da história e do digital na minha vida e como eu achava que o digital tinha mudado a minha maneira de enxergar a moda. No primeiro momento eu não topei, porque não tinha como eu contar sobre um jogo que eu ainda estou jogando, mas ela disse que o legal era contar, justamente, enquanto estava acontecendo. Um ano depois retomamos a conversa e aí foram nove meses em que eu gravava, porque primeiro pensei em todos os capítulos e a minha visão da moda mudou muito a partir do momento que eu decidi fazer esse livro, a partir do momento que eu decidi pensar o que tinha mudado pra mim o digital, porque eu realmente não sou da geração do digital. Comecei na época que só tinha revista, jornal e modelo... Sou totalmente dessa história. E mudou muito mesmo! Eu já tinha uma visão mais inclusiva da moda e o digital me abriu profundamente pra tudo isso, pro que o Brasil é. A moda era uma coisa feita pra poucos, e com a internet todo mundo pode ter a informação de moda, isso mudou radicalmente. Na verdade não são nem as blogueiras. A comunicação de moda que mudou.  A Anna Wintour via o desfile e dois meses depois falava na Vogue América, a gente lia e via a visão dela sobre a moda. A partir do momento que começamos a ver os desfiles - porque a internet começou a transmitir pelo olhar de várias pessoas normais filmando -, a gente começou a tirar nossas próprias conclusões. Então o livro é um pouco isso, conta como a brasileira veste a moda. Por causa do digital eu criei o F*Hits, comecei a trabalhar com bloggers, que nada mais são que mulheres reais que gostam de se vestir e mostram o look e começaram a influenciar outras e aí eu comecei a viajar pelo Brasil e ver que o Brasil era muito mais do que aquele nichozinho de SP que eu vivia, e daí nessas viagens eu descobri a brasileira e a moda brasileira.

SiteND: De dois anos pra cá, o que você acha que mudou?

Alice: As influenciadoras digitais eram uma tendência que as pessoas falavam mas, quando saiu no Fantástico, não teve como negar. A gente começou o F*Hits antes do tempo. A ideia surgiu há sete anos e eu criei a empresa há cinco, mas eu posso te falar que só há dois anos a coisa realmente virou muito séria, a gente conseguiu montar um modelo de negócio que faça sentido. Então foram dois anos muito especiais! Mas o exercício de você escrever sobre isso é muito especial também. Eu não sabia que ia acontecer tudo num momento tão certo, mas aconteceu! Pensar sobre o que eu tava fazendo me ajudou a fechar uma coisa na minha cabeça de "isso é brasil, isso é a moda brasileira e essa é a mulher brasileira”! A mulher brasileira gosta de moda e isso não acontece, por exemplo, no interior da Inglaterra. a mulher de uma cidadezinha inglesa não quer se vestir super na moda. A brasileira ama moda! A relação dela com a moda é muito séria! Tem uma coisa da autoestima... Mexe com ela! Eu falo que as redes sociais são uma novela na vida delas, elas estão assistindo a minha vida. Viram eu chegar aqui e já me contaram qual o pão de queijo certo, eu mostrei a blusa da Regina Salomão, com manga bufante... Isso mudou totalmente a maneira como a gente consome a moda. Hoje em dia a "personagem da novela", que é a influenciadora digital, é acessível, as pessoas conseguem interagir.

SiteND: Você pretende escrever outro livro?

Alice: Não sei, ainda! Tô adorando essa fase! Quero rodar o Brasil pra lançar e, depois, conversar sobre ele. A gente vai fazer algumas palestras em algumas praças falando sobre alguns capítulos específicos. Eu queria muito, aqui em BH, ter uma marca brasileira, mineira, obviamente, pra fazer alguma coisa mostrando a moda brasileira e casou super com a Regina (Salomão), porque elas estão há 30 anos no mercado, são enormes, a mãe e a filha, empreendedoras mulheres... Sabe quando tem tudo à ver?! Mulher, empreendedora, que batalha... Eu me senti muito confortável com elas e elas também falam com todos os públicos, já que têm desde uma camisa de seda até uma roupa que tem um preço melhor... Eu fiquei impressionada como a moda brasileira é forte! A gente fica babando na moda internacional sendo que a nacional é feita pensando muito mais na gente! O tecido mais fino e fresco, a modelagem... Eu gosto muito da moda nacional e com a Regina foi um casamento que deu muito certo. Com isso eu vim pro Minas Trend, que tem crescido muito, é um dos principais eventos e eu diria que realmente tá pau a pau com o SPFW. 

SiteND: A gente teve algumas baixas consideráveis recentemente. Como você vê esse cenário?

Alice: Fico supertriste quando isso acontece porque acho que não precisa, as marcas têm capacidade de se reinventar. Acho que o empreendedor brasileiro de moda quer fazer tudo. Normalmente ele é muito criativo e muito trabalhador, mas tem uma outra parte, que é a financeira, administrativa, de marketing e de comunicação que, de repente, não é a dele... Se ele conseguir concentrar menos na própria mão e delegar mais, a moda pode se sair melhor! Como acontece na maior parte das marcas europeias, por exemplo! Marcas nacionais incríveis se perdem porque não conseguem passar de uma geração. Por que a gente não consegue e a Burberry e a Prada, por exemplo, conseguem? Eu fico muito aflita com isso! Eu tenho conhecido muita marca daqui que eu fico impressionada! São todas uma geração que abriu e agora as filhas continuam, né?! Como a Fátima Scofield, a LN... Qualquer marca boa que fecha, como a Mabel, eu fico arrasada! Porque quem trabalha com moda quer que ela dê certo!

CECÍLIA BARBI

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